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segunda-feira, 5 de abril de 2010

Antes tarde do que nunca

Olá, bordadeiras de plantão! Eis que escrevo novamente em nosso espaço digital para noticiar que não apenas quem é vivo sempre aparece, mas também que o que existe dos nossos trabalhos acaba, ainda que com certo atraso, dando as caras por aqui. Finalmente, depois de anos, deu para fotografar a prova da gênese do nosso grupo: a cortina do Vitor, o filhinho mais velho da prima Iara. Confesso, correndo o risco de parecer piegas que me deu um bolinho na garganta rever aquele bordado de muitas mãos. Claro que eu já tinha visto a cortina mais de uma vez no quarto das crianças da prima Iara, mas, ao tirar as fotos, foi interessante reparar com mais tempo nos detalhes e ver que algumas coisas mudaram e outras continuaram as mesmas. A Cecília, uma das minhas irmãs queridas, fez um comentário quando viu as fotos que ecoou com meu sentimento que transcrevo bem livremente aqui: "Nossa que engraçado, né? Como fui fazer tão quadradinho, tão certinho? Ponto livre é bem melhor." Foi como se olhar em um espelho depois de muito tempo e achar que o espelho é que é diferente e não você que mudou. Uma mistura de estranhamento e reconhecimento até que instigante e que senti também quando fotografei em seguida o guardador de berço da Manu, a filhinha mais nova da prima Iara, que acabou virando colcha e capa de travesseiro, de tanto tempo que levou para ser fotografado e nem berço a Manu tem mais. E, para aproveitar bem a visita, a sessão de fotos continuou com o calendário do Vitor. Fico feliz de dizer que, além de fazer "a rapa" de registros dos trabalhos que estavam na casa da prima Iara, também consegui recuperar as fotos que fiz no aniversário da Paulinha, a filhinha mais velha da prima Miruna, da entrega do calendário que fizemos de aniversário para ela e do próprio calendário. Tem um probleminha, porém: as fotos dos detalhes dos bichinhos ficaram muito ruins... (snif, snif...) Não sei por que... Por isso, peço aqui o que já pedi ao vivo para a prima Miruna, que ela refaça, por favor, as fotos dos bichinhos e substitua as fotos no álbum do Picasa e recoloque o álbum no nosso blog. Bom, por enquanto é só! Estou devendo mais entradas, com certeza! Devo, nego e pago quando puder! Prometo (aumentando ainda mais minha dívida)! Inté, Marilia.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Pela primeira vez!!!

Oi gente,
Finalmente estou dando as caras como autora no nosso blog. Bem, no último sábado foi marcada a próxima reunião com todas (inclusive as novas) as bordadeiras no dia 16 de novembro, para novos passos do grupo. Local a confirmar.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Laçando bordadeiras

Aconteceu no último domingo o almoço de aniversário de um monte de gente na casa da tia Nonco. Algazarra geral para celebrar o fato de que temos essas pessoas supimpas fazendo parte das nossas vidas há mais ou menos anos (as idades variavam), ou, como a gente gosta de dizer, a desculpa para a bagunça eram os seguintes homenageados: o tio Olímpio (maridão da tia Nonco), o tio Dió (maridão da Olinda), a dona Maria (mãe da Olinda) e o maridão da prima Isa, o Hélio, que acabou entrando na dança da cantoria/gritaria do parabéns para você. Obviamente tinha também o Vitor, o filho da prima Iara, que com seus 4 anos está naquela fase boa da vida em que adora cantar parabéns para ele e assoprar vela em todas as ocasiões possíveis. Não dá vontade de morder de fofo? Vamos ver se com 40 ele mantém o mesmo espírito (risos). E teve ensaio também para o Iago, que não entendeu muita coisa, mas bateu palmas mesmo assim (mais risos). O livro do Tinho, o Ratinho, é para seu aniversário de 1 ano daqui a dois meses. Bom, mas o que eu queria deixar registrado aqui é que as primas Isa e Júlia e a Natália, mulher do primo Uirá, foram laçadas pela tia Rioco e arriscaram alguns pontos de bordado em uma das páginas do livro do Iago. Foi ótimo. A tia Rioco sabe fazer as pessoas não terem medo de aventurar-se no emaranhado de panos, linhas e agulhas. Enquanto do outro lado a nova geração de bordadeiras só fazendo graça de que agora as três estavam "lascadas" (outros risos). Vejamos se em outros trabalhos poderemos contar com mais seis pares de mãos. E é isso.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Botando os pingos nos "is"

Pois é, pessoal... memória e história são coisas muito sérias... Digo isso com a tristeza de constatar que a primeira para mim já não está lá essas coisas e acaba, por isso, prejudicando a segunda (e olha que estou contando apenas 31 primaveras). Não é que a tia Rioco colocou os pingos nos "is" com relação ao começo das bordadices desse grupo? A coisa de bordar é de antes até da colcha do ditchan e da batchan. Segue aqui o depoimento da Rió com relação ao início das atividades do Laços & Traços:

"Eu já fazia parte da "Teia de Aranha" desde setembro de 2001 quando o grupo nasceu e bordou 5 grandes painéis inspirados em trechos do "Grande Sertão: Veredas" de JGR. Sabendo que eu bordava adoidada, a Iara me procurou em janeiro de 2004, pedindo-me uma ajuda pra bordar uma cortina pro rebento que estava em seu útero (o nosso querido Vitinho, primeiro da linhagem dos bisnetos de meus pais). A encomenda da futura mamãe era "Floresta" com bichos e plantas. Fizemos alguns encontros para bolar a tal cortina e no meio desse processo tive uma sacação: seria muito legal que a vovozinha também participasse dessa obra. Logo mais surgiu a idéia de envolver outras tias e primas na feitura desse presente. Assim foi nascendo o primeiro bordado coletivo da familia Kayano, motivado por laços de natureza afetiva. O resultado, todos sabem, saiu uma cortina linda, estilo "naife", um nome chique pra caracterizar os desenhos feitos ou copiados sem preocupação com proporção, espacialidade, livre e solto.

Nesse mesmo ano de 2004, no segundo semestre, estávamos preparando a festa de comemoração dos 60 anos de casamento dos nossos pais (Batyan, Diitchan) que aconteceria em dezembro. Aproveitei o embalo da cortina e lancei a idéia de bordarmos uma colcha cuja proposta era arrancar imagens sugeridas por todos os membros da família relacionados ao vínculo afetivo com os homenageados. Foram encontros e mais encontros nos finais de semana onde fomos descobrindo a riqueza e a emoção de resgatar as lembranças remotas, remotíssimas ou mais recentes em torno dos nossos laços familiares. O resultado saiu lindo mas acho que o processo foi o mais divertido, emocionante e deu uma qualidade diferente aos nossos costumeiros encontros familiares. O legal foi que botamos pra pegar em linha e agulha jovens inexperientes (meio toscas em matéria de bordado...) como também conseguimos envolver os homens, não para bordar, mas para compartilhar da experiência com suas lembranças e palpites. Tive ocasião de exibir a colcha no Morro da Garça, sertão de MG, e ela causou sensação, atraiu a atenção de muita gente que percebeu o conteúdo afetivo colocado naquelas imagens bordadas."

Para não deixar dúvida com relação ao fato de que a cortina do Vitor foi mesmo o trabalho de ponta pé do grupo, acima uma foto, contribuição da Olinda, mostrando a tentativa da Marília, esta que vos escreve - ainda como Laços & Traços! não consegui até agora me colocar como autora separada (suspiro e franzir de sobrancelhas) - de contribuir com uma mísera nuvem e dois ou três passarinhos estilizados daqueles que a gente faz mais como um "v" no horizonte, bem distante e sem muito detalhe mesmo. A cara de sofrimento misturada a ué, diz tudo... Acho que confundi o começo dos trabalhos do grupo porque, em retrospecto, a minha contribuição para a cortina do Vitor foi do tipo intimação, no meio do chá de bebê, com a tia Rioco de um lado (à esq.) e a futura mamãe, a Iarinha (à dir.) do outro, a obra-prima praticamente pronta, somente esperando que eu e a Lia, minha irmã caçula, e mais alguma desavisada de plantão, fizesse nem que fosse um pontinho no presente coletivo. Foi no susto, mas foi de coração (risos). Dá para ver isso na minha cara também. E isso é o que interessa, não é mesmo? Essas eram as palavras que a tia Rioco ficava, aliás, falando para mim. Ou parecidas. A lição que ficou daquele dia é que não importava o estilo do bordado, se fosse feito com um mínimo de vontade de dar forma de linha em um pano com uma agulha a um sentimento, a uma lembrança, a uma fantasia, ou o que fosse, estava valendo. E valeu mesmo. Foi surpreendentemente divertido no fim das contas! (Mas não mudo nada o fato de que a colcha do ditchan e da batchan foi mesmo mais difícil, pois o bordado era maior e mais complexo! risos de montão)

quarta-feira, 26 de março de 2008

Salvo pela composição de cores

Estou brigando ainda com o papel de administradora e o de autora desse blog... (suspiro). Por isso, ainda vai aparecer essa postagem como autoria da Laços & Traços. Quem está escrevendo essa sou eu, a Marília, tá? Voltando ao episódio da colcha do ditchan e da batchan, para o aniversário de 60 anos de casados, como lembrou a tia Tonco, chegou aos meus ouvidos que seriam dois pedaços de pano para cada participante do presente coletivo. Suei frio. Dois pedaços era muita coisa. No fim, mal dei conta de um. Principalmente minha mãe e minhas tias estavam fazendo cada coisa que era de deixar qualquer uma mais deprimida ainda com a verdade nua e crua de não saber bordar. O fato de não saber, porém, jamais teria sido uma desculpa para não fazer. Não por qualquer questão tirânica por parte das organizadoras do mimo original, mas justamente pelo espírito livre de que o importante era contribuir e que qualquer coisa, desde que feita com carinho, estaria ótima. Devo confessar que, com carinho, meu modesto pedacinho foi feito sim. Mas teve muita angústia também fazendo parte do processo. Sofri a cada ponto (risos). Talvez por justamente não saber fazer e, por não saber, não gostar. Ou, sendo mais honesta na questão, não gostar e por extensão não querer saber para valer. Sobrevivi à coisa toda com a sensação do dever cumprido, mas também a consciência de que poderia ter ficado melhor. Bem melhor. Chamar o resultado final de bordado é quase uma licença poética. Cada ponto na verdade era quase uma linha inteira do momento em que saía até que entrava novamente na trama. Dando-me o direito de ser ainda mais libertina com relação às comparações possíveis, quase como um quadro impressionista que você visualiza melhor à distância, porque de perto é muito nítido o caos de pinceladas frenéticas. No meu caso, não para captar a luz fugaz do momento, mas para acabar de uma vez por todas com a tarefa. Falando assim parece que foi um martírio (risos). Bem, chegou perto (risos). De qualquer que seja a distância que se admire o resultado do meu trabalho, porém, o certo é que ele é bem vergonhoso ao lado das coisas lindas que fizeram. O que o salva foi que o professor de pintura da tia Tonco disse que, em matéria de composição de cores, o meu pedacinho dava bem para o gasto. A propósito, eu resolvi bordar orquídeas, uma das coisas que a batchan gosta muito.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Dando o primeiro ponto

Bom, na verdade, quem deveria estar escrevendo essa primeira postagem no nosso blog, tinha que ser a tia Rioco, ou a Rió, como as irmãs a chamam. Mas vai eu mesma, Marília. Nos idos de... ih... esqueci, mas não faz tanto tempo assim, meus avós do lado japonês - do lado Kayano, aquele que não aparece na minha assinatura, mas está mais visível do que o lado português Morais na minha cara - estavam para completar bodas de lá vai pedrada. Tempo "pra chuchu" juntos que eu me dei conta agora também não sei quanto é (risos) - nossa que sem noção! Não lembro de nada! Não sei de nada! Espero que as outras ajudem a completar a história... - e as quatro filhas, incentivadas pela terceira, a já mencionada tia Rioco, ou Rió, resolveram fazer uma colcha com bordados de cenas da vida do ditchan e da batchan - espero que seja assim que se escreve vovô e vovó em japonês... Que não tenha me falhado o Google! (risos). Acontece que sobrou para a cunhada e as netas fazerem também alguns bordados em quadrados de pano de trama grossa de um amarelo ou bege bem clarinhos, que seriam depois costurados para fazerem a parte de cima da colcha. E esse foi o primeiro trabalho do Laços & Traços, quando ainda nem tinha esse nome, tanto quanto me lembro.